8 de fevereiro de 2017

Poema


PEQUENINAS COISAS
- de Sandra Hasmann –


"Nas pequeninas coisas da vida
Está o segredo da realização,
Mas passam sempre despercebidas
Por não terem o brilho da sedução.

Escutai o cântico dos pássaros,
Cuja melodia encerra
Histórias e mil segredos
Dos quatro cantos da terra.

Olhai os lírios do campo,
Que crescem sem ser semeados,
Mas trazem em si a perfeição
Do que pelas mãos de Deus foi criado.

E os pingos de chuva que caem
Na vidraça da janela,
Ou a espiga de milho cheia de grãos,
Tão perfeitinha e amarela!

O pipoqueiro da esquina,
O poema mesmo que inacabado,
O sorriso de uma criança
Ou, um segredo bem guardado...

Nas pequeninas coisas da vida
Deus pôs sua perfeição,
E juntando umas às outras
Deu-se a Criação!”

15 de fevereiro de 2016



Uma névoa de Outono o ar raro vela 
Fernando Pessoa(5-11-1932)





Uma névoa de Outono o ar raro vela,
Cores de meia-cor pairam no céu.
O que indistintamente se revela,
Árvores, casas, montes, nada é meu.

Sim, vejo-o, e pela vista sou seu dono.
Sim, sinto-o eu pelo coração, o como.
Mas entre mim e ver há um grande sono.
De sentir é só a janela a que eu assomo.

Amanhã, se estiver um dia igual,
Mas se for outro, porque é amanhã,
Terei outra verdade, universal,
E será como esta



Tome refúgio na Mãe Terra

                                                                             ~Thich Nhat Hahn~




Nossa sociedade não está muito saudável. 
Por isso, muitos estão doentes e nós precisamos de cura e nutrição. 
Temos nos embriagado com venenos. 
Nossa mente tem muitos venenos como a ganância, ódio, raiva e desespero. Nosso corpo também tem muitos venenos, porque não sabemos como consumir.

A Mãe Terra tem a capacidade de curar a si mesma e tem a capacidade de nos ajudar a nos curarmos se soubermos nos refugiarmos nela. 
Quando o Buda estava ensinando seu filho Rahula, ele falou sobre a Terra como tendo as virtudes da paciência e equanimidade. Paciência e serenidade são as duas grandes virtudes do planeta Terra. 
Se necessário, a Mãe Terra pode gastar um milhão ou dez milhões de anos para curar a si mesma. Ela não está com pressa. 
Ela tem o poder de renovar a si mesma. Temos que ver isso. Se estudarmos a história da Terra, saberemos que ela teve muita paciência.

Quando andamos, estamos conscientes de que a Terra está segurando os nossos passos. Mas a Mãe Terra não está logo abaixo de nós, sob os nossos pés, a Mãe Terra está dentro de nós. 
Pensar que a Mãe Terra é apenas o ambiente fora de nós, ao nosso redor, está errado. A Mãe Terra está dentro de nós. Nós não precisamos morrer para voltar para a Mãe Terra. Já estamos na Mãe Terra. É por isso que nós temos que aprender a nos refugiarmos nela. 
Essa é a melhor maneira de nos curarmos e nos alimentarmos.

(FONTE - https://www.facebook.com/MayGardenofPace/?pnref=story)

19 de dezembro de 2015


ORAÇÃO DE NATAL 
(ode às virtudes, de Oldney Lopes)

Que no natal
Não faltem sonhos
Já que os sonhos impulsionam nossas vidas

Que no natal
Não falte a educação
Já que, educada, a humanidade prospera

Que no natal
Não falte a caridade
Porque com caridade, cessarão todas as fomes

Que no natal
Não falte o respeito
Porque havendo respeito, a convivência será harmônica

Que no natal
Não falte a fraternidade
Porque irmanados, não faremos guerras

Que no natal
Não falte a solidariedade
Porque solidários, nos fortaleceremos

Que no Natal
Não falte dignidade
Vez que, havendo dignidade, seremos, de fato, humanos

Que no Natal
Não falte amizade
Porquanto havendo amizade, não haverá solidão

Que no Natal
Não falte o perdão
Pois havendo perdão, não haverá vinganças

Que no Natal
Não falte a esperança
Pois havendo esperança, buscaremos, constantemente, novas alegrias

Que no Natal
Não falte o amor
Pois reinando o amor, o ódio não terá lugar
E que as virtudes se espalhem

Por todos os dias
E por todas as criaturas
Para que todos os dias sejam 
Verdadeiramente
Natal.

Amém!

30 de outubro de 2015




A cada uma de vocês, amigas "guerreiras" e maravilhosas, que  regem suas vidas sob as forças da natureza, respeitando a criação, seja planta, bicho, gente, e cuja sensibilidade é usada  em prol do bem comum...

Um magnífico e abençoado HELLOWEEN !!!!

4 de agosto de 2015

Um lindo texto de CORA CORALINA...




"Eu não tenho medo dos anos e não penso em velhice.
E digo pra você, não pense.
Nunca diga estou envelhecendo, estou ficando velha. Eu não digo.
Eu não digo que estou velha, e não digo que estou ouvindo pouco.
É claro que quando preciso de ajuda, eu digo que preciso.
Procuro sempre ler e estar atualizada com os fatos e isso me ajuda a vencer as dificuldades da vida. O melhor roteiro é ler e praticar o que lê.
O bom é produzir sempre e não dormir de dia.
Também não diga pra você que está ficando esquecida, porque assim você fica mais.
Nunca digo que estou doente, digo sempre: estou ótima.
Eu não digo nunca que estou cansada.Nada de palavra negativa.
Quanto mais você diz estar ficando cansada e esquecida, mais esquecida fica.
Você vai se convencendo daquilo e convence os outros. Então silêncio!
Sei que tenho muitos anos. Sei que venho do século passado, e que trago comigo todas as idades, mas não sei se sou velha, não. Você acha que eu sou?
Posso dizer que eu sou a terra e nada mais quero ser.
Convoco os velhos como eu, ou mais velhos que eu, para exercerem seus direitos.
Sei que alguém vai ter que me enterrar, mas eu não vou fazer isso comigo.
Tenho consciência de ser autêntica e procuro superar todos os dias minha própria personalidade, despedaçando dentro de mim tudo que é velho e morto, pois lutar é a palavra vibrante que levanta os fracos e determina os fortes.
O importante é semear, produzir milhões de sorrisos de solidariedade e amizade.
Procuro semear otimismo e plantar sementes de paz e justiça.
Digo o que penso, com esperança.
Penso no que faço, com fé. Faço o que devo fazer, com amor.
Eu me esforço para ser cada dia melhor, pois bondade também se aprende.
Mesmo quando tudo parece desabar, cabe a mim decidir entre rir ou chorar, ir ou ficar, desistir ou lutar; porque descobri, no caminho incerto da vida, que o mais importante é o decidir".


* Não sei o nome do artista que pintou essa tela, mas se alguém souber por favor me diga para que eu atribua o crédito, pois é simplesmente linda...

22 de junho de 2015



SONETO AO INVERNO 
Vinicius de Moraes


Inverno, doce inverno das manhãs 
Translúcidas, tardias e distantes 
Propício ao sentimento das irmãs 
E ao mistério da carne das amantes:

Quem és, que transfiguras as maçãs 
Em iluminações dessemelhantes 
E enlouqueces as rosas temporãs 
Rosa-dos-ventos, rosa dos instantes?

Por que ruflaste as tremulantes asas 
Alma do céu? o amor das coisas várias 
Fez-te migrar - inverno sobre casas!

Anjo tutelar das luminárias 
Preservador de santas e de estrelas... 
Que importa a noite lúgubre escondê-las?

- Londres, 1939 -


2 de junho de 2015

ANA CRISTINA CRUZ CESAR - Poeta


Ausência

Por muito tempo achei que ausência é falta
E lastimava, ignorante, a falta..
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
Ausência é um estar em mim.
E sinto-a tão pegada, aconchegada nos meus braços
Que rio e danço e invento exclamações alegres.
Porque a ausência, esta ausência assimilada,
Ninguém a rouba mais de mim.

(Carlos Drummond de Andrade – Com o pensamento em Ana Cristina)

Ana Cristina Cruz Cesar (Rio de Janeiro, 2 de junho de 1952 — Rio de Janeiro, 29 de outubro de 1983) foi uma poetisa etradutora brasileira, conhecida como Ana Cristina Cesar (ou Ana C.). É considerada um dos principais nomes da geração mimeógrafo da década de 1970, e tem o seu nome muitas vezes vinculado ao movimento de Poesia Marginal.
Filha do sociólogo e jornalista Waldo Aranha Lenz Cesar e de Maria Luiza Cruz, Ana Cristina nasceu em uma família culta e protestante de classe média. Tinha dois irmãos, Flávio (viúvo de Gabriela Leite, fundadora da Daspu) e Filipe.
Antes mesmo de ser alfabetizada, aos seis anos de idade, já ditava poemas para sua mãe. Em 1969, Ana Cristina Cesar viajou à Inglaterra em intercâmbio e passou um período em Londres, onde travou contato com a literatura em língua inglesa. Quando regressou ao Brasil, com livros de Emily Dickinson, Sylvia Plath e Katherine Mansfield nas malas, dedicou-se a escrever e a traduzir, entrando para a Faculdade de Letras da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ), aos dezenove anos.
Cesar começou a publicar poemas e textos de prosa poética na década de 1970 em coletâneas, revistas e jornais alternativos. Seus primeiros livros, Cenas de Abril e Correspondência Completa, foram lançados em edições independentes. As atividades de Ana Cristina não pararam: pesquisa literária, mestrado em comunicação pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), outra temporada na Inglaterra para um mestrado em tradução literária (na Universidade de Essex), em 1980, e a volta ao Rio, onde publicou Luvas de Pelica, escrito na Inglaterra. Em suas obras, Ana Cristina Cesar mantém uma fina linha entre o ficcional e o autobiográfico.
Cometeu suicídio aos trinta e um anos, atirando-se pela janela do apartamento dos pais, no oitavo andar de um edifício da rua Toneleiro, em Copacabana.
Armando Freitas Filho, poeta brasileiro, foi o melhor amigo de Ana Cristina Cesar, para quem ela deixou a responsabilidade de cuidar postumamente das suas publicações. O acervo pessoal da autora está sob tutela do Instituto Moreira Salles. A família fez a doação mediante a promessa de os escritos ficarem no Rio de Janeiro. Contudo, sabe-se que muitas cartas de Ana Cristina Cesar foram censuradas pela família, principalmente as recebidas do escritor Caio Fernando Abreu.

Acreditei que se amasse de novo
esqueceria outros
pelo menos três ou quatro rostos que amei
Num delírio de arquivística
organizei a memória em alfabetos
como quem conta carneiros e amansa
no entanto flanco aberto não esqueço
e amo em ti os outros rostos

(em Contagem regressiva - Inéditos e Dispersos)