30 de janeiro de 2012



Reflexões

                       - Walter Derani -
 
 
"Estou aqui na estrada a pensar e refletir
Vendo o erro humano a se repetir
O poder da maldade domina o nosso ser
E coisas ruim continuam a acontecer
Olho o horizonte sem muita esperança
Só abrir espaço a tristeza avança
Nem a Natureza já não nos agüenta
Chuvas e destroços ela apresenta
Toda desgraceira só vai aumentar
Ate o ponto onde vamos suplicar
Onde esta o ser que nos da este castigo?
Nem parece Deus e sim um grande inimigo
Nós continuamos a tudo criticar
A nossa vaidade não nos deixa enxergar
O que esta em nossa volta foi a nossa criação
A do egoísmo, da vaidade, e sem amor no coração.
Vai chegar a hora que iremos aprender
Que Ele, o Nosso Pai continua a nos querer
Sei que é difícil para nossa compreensão
Só com muita dor prestamos mais a atenção
Com todas as Virtudes poderemos avançar
Com Verdade e Amor ao Seu Seio retornar".

[capa+livro+Dor+e+Amor.JPG]

Dor e Amor

Autor: Walter Derani – autor dos livros "Guia de Sobrevivência", "A Lojinha do Tio Sah-Lim", "O Caminho do Sucesso com o Tio Sah Lim" e "Super S e sua turma".

Colaboração e Revisão: Nereide Schilaro Santa Rosa

Sinopse:

Livro de Poesia com fotos de Daniela Derani e colaboração de Nereide S Rosa, traz lindas poesias sobre os sentimentos de “Dor e Amor”, relacionados a afetividade entre pais e filhos, homem e mulher e entre amigos.

“...a dor é que aparece pra nos fazer perceber os nossos erros e nos indicar o que, e onde corrigir.”

“...faz parte do nosso processo evolutivo...”

“...é no amor que andamos mais rápido ao nosso finito destino...”

“...São sentimentos que encurtam, ou não, o nosso desenvolvimento interior...”

_ Walter Derani _

24 de janeiro de 2012

...

Netos
                                    
        De Sandra Hasmann

(Mamãe e tres de seus bisnetos...)



Sem tê-los, sequer os imaginamos,

mas quando chegam,

por eles desintegramos.


Pequeninos gigantes de pele suave,

que nos tornam pequenos, frágeis, medrosos,

ante o vir-a-ser que desconhecemos,

mas que promete glorias e sonhos realizados.



Queremos protege-los, acima do certo ou errado,

pois os netos nunca erram,  merecem mil cuidados.

Fazem arte, estripulias, malcriações,

e os desculpamos junto aos pais, sem objeções.

Neto pode tudo, pois reina absoluto,

seduzindo-nos com beijos, piscar de olhos, desenhos,

e promessas veladas de amanhãs perfeitos,

nessa jornada da vida, por eles eternizada...



Netos, se não tê-los como sabe-los?
                                                           (dizia o poeta..)
E sabendo-os, como viver sem tê-los?

Pois tendo-os descobrimos a nós mesmos,

como crianças pedindo a vida mais tempo...

_________________________________




16 de janeiro de 2012

O QUE ESPERAR DO ANO NOVO
 - Geraldo José da Silva -


Para nós, ocidentais, e boa parte do mundo a passagem para o ano novo, é um acontecimento cercado de muita festa, alegria, esperança e expectativas. Uma ocasião em que um misto de euforia e desejos toma conta das pessoas num ritmo crescente e veloz, até a contagem dos minutos regressivos e o início dos fogos de artifício, como o ponto mais alto e esperado, que a rigor iniciou-se com o Natal. É a festa tradicional do Rèvellion, como nós conhecemos, adotado do francês, que significa rever (rèveiller). Todavia, a data da festa, dia 1 de janeiro, foi instituída pelo governo de Roma, Júlio Cezar, 46 anos a.C, e dedicada pelos romanos ao deus Juno, que é representado por duas faces, uma voltada para o passado, outra para o futuro.

Talvez seja a combinação destes princípios de revisão do ano (dos franceses) e de visão simultânea do passado e do futuro (dos romanos), os motivos das nossas crenças, simpatias e rituais praticados na passagem do ano: vestir-se de branco para intuir a paz, banhar-se com ervas para fechar o corpo, comer lentilha para que haja fartura e sementes de romã para atiçar a sorte, pular sete ondas para livrar-se de todos os males e consultar cartas e tarôs para orientações. Tudo tem valor, dependendo da crença, do propósito e da atitude de cada um.

Muitos participam desses rituais porque realmente acreditam neles, outros porque na dúvida é melhor não ficar de fora, mas a maioria gosta mesmo é do folclore que enche as praias com tendas, figuras de orixás, e culto à Iemanjá. Não importa o motivo particular de cada um. O objetivo e a festa de Reveillon que faz a alegria do povo e tudo é bom quando não faz mal a ninguém.

Mas, então, o que é mesmo que esperamos do Ano Novo? Dele, nada, mas de nós mesmos, tudo. Tudo o que deveríamos ter feito no ano que passou e deixamos em débito por descuido ou egoísmo. Tudo o que propusemos para este ano: refazer as amizades esquecidas, perdoar os que nos foram ingratas ou então reparar as vezes que cometemos ingratidão, corrigir a insensatez que praticamos por comodidade, sermos mais éticos em tudo e em todos os momentos e lugares, sermos autênticos sem ofender e ainda que contrarie nosso orgulho, estender nossas mãos quando tivermos que pedir e oferece-las quando pudermos ajudar, dar bom dia indistintamente e com a mesma vibração que daríamos às pessoas mais próximas, e ainda cuidarmos do nosso próprio projeto pessoal. Porque a nossa presença bem definida faz bem às pessoas que nos veem e a nós mesmos. Nossas atitudes com boa educação serão percebidas imediatamente e seguidas. Nossa cultura ilumina o próximo. Nossa conduta com dignidade é espelho. Nossa generosidade sensibiliza e nos dá a certeza do bem praticado. Mas acima de tudo, o amor exaurido de nós para o bem do próximo, louva ao Deus que nos dá a vida. Este é o resumo do que provavelmente deixamos de fazer no ano velho, mas temos uma nova chance de fazê-lo.

Portanto, não temos que esperar nada do Ano Novo, mas ele espera muito de nós. Espera, inclusive, que não sejamos como os fogos de artifício, que nos encantam num momento, mas logo se apagam. 

*Geraldo José Silva é membro e ex-Presidente da Academia Jacarehyense de Letras, onde ocupa a cadeira de número 16, cujo patrono é o prof. Mário Moraes.



9 de janeiro de 2012

                                                         Reprodução
João Cabral de Melo Neto (1920-1999)

João Cabral de Melo Neto nasceu em Recife, 
em 09 de janeiro de 1920. Publicou seu primeiro 
livro "Pedra do Sono" em 1944. 
Tornou-se diplomata, tendo viajado por diversos 
países e servido em Barcelona, Londres, Sevilha, 
Marselha, dentre outras. Conviveu com grandes 
escritores de seu tempo, era primo de Manuel 
Bandeira e Gilberto Freyre. Em 1968 foi 
eleito por unanimidade para a Academia Brasileira 
de Letras, na vaga de Assis Chateaubriand e cujo 
patrono é Tomaz Antônio Gonzaga. Era casado 
com a ensaista Marly de Oliveira e tinha cinco filhos.
Dentre seus livros destacam-se Morte e Vida Severina,
O Cão sem Plumas, O Rio, Museu de Tudo, além de 
Poesias Completas.



Morte e Vida Severina

— O meu nome é Severino,
como não tenho outro de pia.
Como há muitos Severinos,
que é santo de romaria,
deram então de me chamar
Severino de Maria;
como há muitos Severinos
com mães chamadas Maria,
fiquei sendo o da Maria
do finado Zacarias.
Mas isso ainda diz pouco:
há muitos na freguesia,
por causa de um coronel
que se chamou Zacarias
e que foi o mais antigo
senhor desta sesmaria.
Como então dizer quem fala
ora a Vossas Senhorias?
Vejamos: é o Severino
da Maria do Zacarias,
lá da serra da Costela,
limites da Paraíba.
Mas isso ainda diz pouco:
se ao menos mais cinco havia
com nome de Severino
filhos de tantas Marias
mulheres de outros tantos,
já finados, Zacarias,
vivendo na mesma serra
magra e ossuda em que eu vivia.
Somos muitos Severinos
iguais em tudo na vida:
na mesma cabeça grande
que a custo é que se equilibra,
no mesmo ventre crescido
sobre as mesmas pernas finas,
e iguais também porque o sangue
que usamos tem pouca tinta.
E se somos Severinos
iguais em tudo na vida,
morremos de morte igual,
mesma morte severina:
que é a morte de que se morre
de velhice antes dos trinta,
de emboscada antes dos vinte,
de fome um pouco por dia
(de fraqueza e de doença
é que a morte severina
ataca em qualquer idade,
e até gente não nascida).
Somos muitos Severinos
iguais em tudo e na sina:
a de abrandar estas pedras
suando-se muito em cima,
a de tentar despertar
terra sempre mais extinta,
a de querer arrancar
algum roçado da cinza.

31 de dezembro de 2011

CORA CORALINA
 
 
Um repórter perguntou à Cora Coralina o que é viver bem.
Ela lhe disse:
"Eu não tenho medo dos anos e não penso em velhice. E digo pra você, não pense.
Nunca diga estou envelhecendo, estou ficando velha. Eu não digo. Eu não digo que estou velha, e não digo que estou ouvindo pouco.
É claro que quando preciso de ajuda, eu digo que preciso.

Procuro sempre ler e estar atualizada com os fatos e isso me ajuda a vencer as dificuldades da vida. O melhor roteiro é ler e praticar o que lê. O bom é produzir sempre e não dormir de dia.
Também não diga pra você que está ficando esquecida, porque assim você fica mais.
Nunca digo que estou doente, digo sempre: estou ótima. Eu não digo nunca que estou cansada.

Nada de palavra negativa. Quanto mais você diz estar ficando cansada e esquecida, mais esquecida fica.
Você vai se convencendo daquilo e convence os outros. Então silêncio!
Sei que tenho muitos anos. Sei que venho do século passado, e que trago comigo todas as idades, mas não sei se sou velha, não. Você acha que eu sou?

Posso dizer que eu sou a terra e nada mais quero ser. Filha dessa abençoada terra de Goiás.
Convoco os velhos como eu, ou mais velhos que eu, para exercerem seus direitos.
Sei que alguém vai ter que me enterrar, mas eu não vou fazer isso comigo.

Tenho consciência de ser autêntica e procuro superar todos os dias minha própria personalidade, despedaçando dentro de mim tudo que é velho e morto, pois lutar é a palavra vibrante que levanta os fracos e determina os fortes.

O importante é semear, produzir milhões de sorrisos de solidariedade e amizade.
Procuro semear otimismo e plantar sementes de paz e justiça. Digo o que penso, com esperança.

Penso no que faço, com fé. Faço o que devo fazer, com amor. Eu me esforço para ser cada dia melhor, pois bondade também se aprende.

Mesmo quando tudo parece desabar, cabe a mim decidir entre rir ou chorar, ir ou ficar, desistir ou lutar; porque descobri, no caminho incerto da vida, que o mais importante é o decidir".

(Cora Coralina)

25 de dezembro de 2011

O meu presépio

                                                       - Maria Soave -

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Pedidos: vendas@cebi.org.br  

Quando eu era criança, gostava demais de viver este tempo que antecede o Natal. Os dias ficavam mais curtos no tempo do Advento. O sol se anunciava raramente e pálido, e as tardes chegavam abraçadas a um manto de neblina.

O tempo de Advento na Itália vem acompanhado de cheiros únicos, inesquecíveis. São os cheiros das tangerinas e das castanhas que são assadas e vendidas pelas calçadas.

Quando eu era criança, adorava o tempo de Advento. Tempo mágico e especial que antecede o Natal.
No dia do padroeiro da cidade de Milão, 07 de dezembro, em casa, nós crianças preparávamos o presépio com o pai e a mãe.

A minha família é do sul da Itália. Nós não temos a tradição da árvore de Natal, que é uma tradição dos povos do norte da Europa. Nós temos a tradição do presépio. O nosso presépio, ainda hoje, conta lindas histórias. Antes de tudo, é um presépio bem antigo. Quem fez algumas estatuetas e mandou fazer outras foi o meu "tata", o meu avô Salvatore, que hoje teria mais de 100 anos. Ele morreu novo, de febre amarela, voltando da guerra na África em 1940. Todas as estatuetas são de barro, material simples dos pobres da terra do sul da Itália. Terra: elemento fundamental da vida. Cada estatueta tem o rosto dos pobres da terra do sul da Itália.

No nosso presépio tinha os pescadores do nosso mar. No presépio tinha o forno e o poço do pequeno lugarejo onde eu e a mãe nascemos. No presépio havia o castelo com as quatro torres que os árabes construíram no litoral do nosso mar. Lá colocávamos as mulheres agricultoras com os trajes típicos de nossas regiões, os corpos morenos, da cor das oliveiras, queimados pelo sol e com um cantil de água na cabeça.

Muitas eram as crianças em nosso presépio. Havia também o padeiro, o sapateiro, "Mestre Nino e Mestre Orlando", os vizinhos da casa da avó. Na praça do presépio, perto da fonte, com o pai e a mãe nós crianças preparávamos a feira. Havia as bancas das verduras e dos peixes, as bancas com muitos tipos de queijos pendurados e as bancas das carnes.

Numa das casas do presépio, numa casa simples com a porta aberta para a rua, bem igual à casa de nossa avó, nós crianças arrumávamos Maria, José, as cabras, as ovelhas, um burrico e o Menino Jesus.

O pai e a mãe tinham uma história para cada pessoa do presépio. Eu gostava muito de "Mechu Orlando", o mestre padeiro, que fazia grandes pães com azeitonas pretas e sempre os levava para Maria e José envoltos em panos brancos, ainda quentes.

Quando colocava "Mechu Orlando" no presépio, me lembrava do forno de perto da casa da avó, de pão feito em casa, e o sabor das azeitonas pretas e do pão voltava à minha boca.

A cada noite nós, três filhos, nos reuníamos com o pai e a mãe para ouvir e contar histórias do presépio.

Cada um, cada uma de nós cuidava, durante o dia, de algumas personagens do presépio e, à noite, contava como aquela personagem tinha passado o dia. Minha mãe falava de Maria, dos trabalhos domésticos e da luta pela sobrevivência do dia-a-dia.

Meu pai, que antes de ser operário nas fábricas do norte da Itália foi marceneiro restaurador de móveis antigos, era José, falava do desemprego, da migração e das mãos calejadas.

Mauro, meu irmão, cuidava da feira e gritava tentando vender os produtos. Antonella, minha irmã, era muito pequena e representava o Menino Jesus.

A avó contava histórias do tempo em que faltava o pão e as pessoas pobres sem terra, como nossa família, comiam no mesmo prato uma comida ainda hoje para nós sagrada: a "frisella". Tratava-se de um pão duríssimo, molhado na água cristalina do mar, com tomate, azeite de oliva e azeitonas pretas. Era a comida cotidiana dos pobres sem terra. Ainda hoje é o prato que, com alegria, eu chamo de comida.

E assim, fazendo memória das nossas tradições, misturando a nossa vida com a história sagrada, construindo um presépio com o nosso rosto, tendo Maria, José, Jesus e as cabras como vizinhos de casa e de comida, nós crianças esperávamos o Natal.

No presépio eu gostava demais de cuidar dos três magos. Na parte externa eu preparava um caminho de areia e lá colocava os camelos e três viajantes. A cada dia eu mudava os magos de posição, aproximando-os cada vez mais da aldeia. Todas as noites contava histórias sobre os três. Eram de raças diferentes. Um era negro, brilhando como uma noite estrelada sem luar. Trazia no seu camelo contos e cheiros de terras diferentes, como nós, gente do mar, somos acostumados a ver dos pescadores da África, da Grécia, da Albânia que desembarcam nas praias do sul da Itália. São gente irmã, com crenças diferentes e a mesma sede de infinito no olhar

Outro vinha da terra onde nasce o sol. Sabia muitas coisas sobre a lua e as estrelas e era gente de paz.

E o último provavelmente era uma menina, e com ela eu gostava de viajar atrás de estrelas, do sonho de um mundo de irmãos, sem exclusões, um mundo onde Deus se fazia criança e morava no meio da humanidade.

Hoje o meu presépio é o espaço grande do coração. É um presépio feito de muitos caminhos percorridos e de horizontes amplos. Muitas pessoas moram na praça da pequena cidade, muitos rostos, corpos, raças, sonhos...

Continuo, como quando menina, viajando atrás de estrelas, acariciando pessoas e sonhos, construindo, no amor cotidiano, um mundo terno, sem exclusões. Um mundo de Deus-criança...

Conheça outras obras de Maria Soave aqui.     

      

6 de dezembro de 2011



Rodeio de Ego

Não se deixe enganar por essa letrinha com corpinho 1, em
itálico, mostrando meu nome bem pequenininho. É disfarce.
No fundo, meu ego megalomaníaco gostaria que o nome
estivesse em letras garrafais, brilhantes, luminosas, em
Times Square, Nova York, como aliás, fazem alguns
apresentadores de tv nas aberturas de seus próprios
programas, em geral, com seus nomes também no título.
Se não o faço é mais por medo que por humildade, mais
por escrúpulo do que por ética. Eu tenho um ego do
tamanho de um bonde, descendo uma ladeira em
São Francisco, sem freio e cheio de passageiros.
Acredite, é mais fácil montar um touro bravo num
rodeio durante oito segundos do que segurar meu
ego selvagem no momento em que alguém abre
a porteira desavisadamente.
A porteira, aliás, acabou de ser aberta. Estou aqui,
me segurando, me roendo, sangrando, navegando
pela web pra me distrair e não liberar o demônio da
Tazmania por uma bobagem.
O pior é que a alegria da platéia é ver o circo pegar
fogo e o palhaço se f..der. A simples menção de que
estou em ponto de bala para deixar meu ego explodir
faz com que a galera grite 'pula! pula!', 'solta, solta'
e 'conta!conta!".
Sim, porque, assim como a indústria alimentícia e o
marketing não colaboram pra que a gente emagreça,
o povo não ajuda ninguém a ser generoso e humilde.
Queremos sangue. Gostamos de sangue. A cor, o cheiro,
o salgado do sangue nos atrai. Por isso todo mundo
diminui a velocidade pra ver um acidente causando
outros acidentes e muito congestionamento.
O ser humano é carnívoro. Competimos por espaço
há milênios. E agora, competimos também na web.

Competimos, é plural de majestade. Eu compito.
Mesmo que não exista a primeira pessoa do
singular do verbo competir. Dane-se. Eu sei
o que meu ego indomável quer:
re-co-nhe-ci-men-to.
O ego quer ser admirado Quer adjetivos elogiosos e
exclamações de grata surpresa. Quer muitos
clap clap clap, quer ohhhhhhhhh! cheios
de agás, quer beijinhos, cutchie cutchie,
e muito bem.
Aperto na bochecha nenê não quer, nenê
não gosta.
Ego é bebê. É criança, fedelho, pentelho.
Ego é chato, voraz, desagradável.
Inadequado. Mas está lá. Sempre pronto
para clamar por justiça.
Mania de ego inflado é se sentir injustiçado.
Passatempo de ego grande é esmagar
em nome da lei. É clamar pelo correto
quando o razoável resolveria. 
Ego não samba, não tem jogo de cintura.
Ego não dorme, morre de insônia.
Ego não goza, finge prazer com gemidinhos.
Quem tem ego tem problema, ema ema ema.
Por isso peço ajuda, encarecidamente, a
todos os que convivem com este monstro
na coleira que arrasto pela mão, meu ego
alemão, com mossarela italiana, convertido
ao judaísmo, trancafiado num corpo pícnico,
agarrado a um cérebro atento, medroso e
inseguro como uma criança que segura um ursinho.
Minha cabeça, é tudo o que meu ego tem pra brincar.
E por isso, de vez em quando, meu ego pega
meu cérebro e chuta como bola no quintal do
coração e marca um gol de mão,
que deveria ser anulado.
Meu ego e meu cérebro, aliás, vivem em constante
disputa e quem perde a partida, sou eu.
Meu cérebro sobe na balança, o ego mente o peso.
Meu cérebro escreve um post, o ego mede as visitas.
Meu cérebro abre a porta, o ego passa primeiro.
No carro, o cérebro dá a partida, o ego acelera.
No vermelho, o cérebro freia, o ego xinga.

O cérebro quer se encontrar, o ego,se acha.
O cérebro quer um amor, o ego, se masturba.
O cérebro busca a performance, o ego quer a medalha.
O cérebro quer terminar este texto, o ego sopra
palavras.

Não é por mal, é só doença. Doença da
ilusão, de todo ser humano, de querer ser
eternamente amado.
Ser continuamente reconhecido.
Infinitamente aplaudido. Em pé.
E, claro, com transmissão simultanea
para todo o planeta.

Ao vivo.
Um beijo, um browse, um aperto de mouse da Rosana Hermann às 18h01

Rosana Hermann
Nascimento26 de julho de 1957 (54 anos)São Paulo, São Paulo
NacionalidadeBrasil brasileira
CônjugeIsaac Efraim (1992 - atualmente)
Ocupaçãoescritora, roteirista,professora
Rosana Hermann (São Paulo, 26 de julho de 1957) é uma escritora, roteirista e apresentadora brasileira. O último programa que apresentou foi o Atualíssima, ao lado de Leão Lobo, na Bandeirantes; também é colunista de vários blogs, entre eles o seu pessoal, o Querido Leitor.
Desde 2000, Rosana mantém um blog de relativo sucesso, muito famoso por suas constantes atualizações, onde versa sobre sua vida pessoal e seus interesses. Tem como característica a atualização diária da página com temas variados. Em 2008 recebeu o prêmio BOBs Awards concedido pela Deutsche Welle como o melhor Blog de Língua Portuguesa.
É Bacharel em física e mestre em física nuclear pelo Instituto de Física da Universidade de São Paulo e tem curso básico de comunicação pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo. Iniciou sua carreira na televisão como redatora na produtora RMC-Editevê, onde foi contratada para produzir um programa para a Rede Bandeirantes de televisão. Trabalha profissionalmente em TV desde 1983, e na Internet, desde 1995.
Entre os anos de 1996 e 1997 Rosana pertenceu à equipe paulista de redatores do Sai de Baixo, junto com Flávio de Souza, Elias Andreato e Laerte Coutinho.
Após sair da Bandeirantes, Rosana passou a trabalhar na Rede Record, onde foi apresentadora do Fala Brasil durante três anos. Foi diretora artística da Rede Mulher de Televisão.
Ao longo de sua carreira, trabalhou no SBT, na rádio Jovem Pan, na Rede Manchete e na Rede Globo, como roteirista. (Domingão do Faustão, Sai de Baixo, etc.)
É co-autora do livro Tudo que a Grande Mente Capta e foi colunista da Revista dos Curiosos e do Jornal da Tarde. Na Internet foi colunista de diversos websites, e criou tantos outros. Entre eles, o blog Querido Leitor.
Em 2005 foi sócia de uma empresa de marketing e mídia chamada Synapsys, onde atuou nas funções de repórter, roteirista e editora de programas.
Em 2008 foi para a Rede Bandeirantes saindo da função de redatora do programa Pânico na TV. Na Band comandou o Atualíssima ao lado de Leão Lobo até que, no final de 2008, o programa foi cancelado; mesmo assim Rosana permaneceria como contratada da Band até 2010. Apresentou o quadro "Ombusmann" no programa "A Noite é uma Criança" comandado por Otávio Mesquita.
Em 2008 , a imprensa paulista publicou que Rosana Hermann teria sido cogitada para fazer parte do programa humorístico CQC.
Em setembro de 2009, assumiu a diretoria de Criação e Produto do R7, portal de internet da Rede Record.
Em fevereiro de 2010 , Rosana tornou-se professora do curso de Roteiro de TV na Faculdade de Comunicação da Fundação Armando Álvares Penteado. Em Junho de 2010 ganhou um perfil de fãs no twitter com o nome de @fans_rosana , ganhando assim reconhecimento das pessoas que admiram seu trabalho no rádio, na TV e na internet.
Em maio de 2011 Rosana lançou um livro pela editora Panda Books, intitulado Um passarinho me contou – Relatos de uma viciada em twitter. O livro é baseado em histórias vividas por ela desde sua entrada na rede social Twitter em Abril de 2007.
Atualmente participa também como blogueira/comentarista do programa NBlogs e colunista de redes sociais do Jornal da Record News ao lado de Heródoto Barbeiro.

24 de novembro de 2011

 

Poema de Natal
 Vinicius de Moraes


Para isso fomos feitos:
Para lembrar e ser lembrados
Para chorar e fazer chorar
Para enterrar os nossos mortos —
Por isso temos braços longos para os adeuses
Mãos para colher o que foi dado
Dedos para cavar a terra.
Assim será nossa vida:
Uma tarde sempre a esquecer
Uma estrela a se apagar na treva
Um caminho entre dois túmulos —
Por isso precisamos velar
Falar baixo, pisar leve, ver
A noite dormir em silêncio.
Não há muito o que dizer:
Uma canção sobre um berço
Um verso, talvez de amor
Uma prece por quem se vai —
Mas que essa hora não esqueça
E por ela os nossos corações
Se deixem, graves e simples.
Pois para isso fomos feitos:
Para a esperança no milagre
Para a participação da poesia
Para ver a face da morte —
De repente nunca mais esperaremos...
Hoje a noite é jovem; da morte, apenas
Nascemos, imensamente.

O poema acima foi foi extraído do livro "Antologia Poética", Editora do Autor - Rio de Janeiro, 1960, pág. 147.
Conheça a vida e a obra do autor em "Biografias".

22 de novembro de 2011

Hoje - 22/11 - é DIA DO MUSICO.

Meus cumprimentos aos colegas e amigos que se dedicam a mágica arte da Musica, e que continuem a nos brindar com esse Dom tão sublime e essencial dado por Deus.

Agora, um pouco da historia desse dia p/ voces...
 
Sta Cecília é tida como Padroeira dos musicos

No início, a música era apenas rítmo marcado por primitivos com instrumentos de percussão, pois como os povos da antiguidade ignoravam os princípios da harmonia, só com o tempo foram acrescentando a ela fragmentos melódicos. Na pré-história o homem descobriu os sons do ambiente que o cercava e aprendeu suas diferentes sonoridades: o rumor das ondas quebrando na praia, o ruído da tempestade se aproximando, a melodia do canto animais, e também se encantou com o seu próprio canto, percebendo assim o instrumento musical que é a voz. Mas a música pré-histórica não é considerada como arte, e sim uma expansão impulsiva e instintiva do movimento sonoro, apenas um veículo expressivo de comunicação, sempre ligada às palavras, aos ritos e à dança. Os primeiros dados documentados sobre composições musicais referem-se a dois hinos gregos dedicados ao deus Apolo, gravados trezentos anos antes de Cristo nas paredes da Casa do Tesouro de Delfos, além de alguns trechos musicais também gregos, gravados em mármore, e mais outros tantos egípcios, anotados em papiros. Nessa época, a música dos gregos baseava-se em leis da acústica e já possuía um sistema de notações e regras de estética.

Por outro lado, a história de Santa Cecília, narrada no Breviarium Romanum, a apresenta como uma jovem de família nobre que viveu em Roma no século III, nos princípios do cristianismo, decidida a viver como monja desde a infância. Mas apesar dos pais a terem dado em casamento a um homem chamado Valeriano, a jovem convenceu o noivo a respeitar-lhe os votos e acabou convertendo-o à sua fé, passando os dois a participar diariamente da missa celebrada nas catacumbas da via Ápia. Em seguida, Valeriano fez o mesmo com o irmão Tibúrcio, e com Máximo, seu colega íntimo, e por isso os três foram martirizados pouco tempo depois, enquanto Cecília, prevendo o que lhe aconteceria, distribuiu aos pobres tudo o que possuía. Presa e condenada a morrer queimada, ela foi exposta ao fogo durante um dia e uma noite, mas como depois disso ainda se encontrava sem ferimentos, um carrasco recebeu ordem para decapitá-la. Mas, seu primeiro golpe também falhou. Isso aconteceu durante o ano 230, no reinado de Alexandre Severo, época em que Urbano I ocupava o papado. Anos depois uma igreja foi erigida pelo papa no local em que a jovem mártir residira, tornando-se a Igreja de Santa Cecília uma das mais notáveis de Roma.

Muito embora o Breviarium Romanum não faça menção alguma às prendas musicais de Cecília, ela se tornou, por tradição, a padroeira dos músicos, da música e do canto, cuja data de comemoração é 22 de novembro, o mesmo dia dedicado à santa. A tradição conta que Santa Cecília cantava com tal doçura, que um anjo desceu do céu para ouvi-la..
 

20 de novembro de 2011


 Arthur da Távola
*3 de Janeiro de 1936
+ 9 de Maio de 2008

(Para conhecer mais sobre esse escritor, clique em

_________________________

ATO DE CONTRIÇÃO

Ah, como somos comedidos!
Acomodamo-nos, vãos,
nos limites do concebido.

Somos bem educados, cultos,
e ruge tanta fome
nos apetites fora do concedido.

Ah, como somos sob medida!
sub metidos, hirtos, bem vestidos,
robôs impecáveis, ilusão de vida.

Ah, somos como os subvertidos,
introvertida soma de extrovertidos
por pompa, tinta, arroto ou brilhantina.

Filhos do instante, do entanto e do porém,
somos através, como os vidros,
mas opacos e pervertidos, sempre aquém.

Traçamos sinas e abstrações,
terçamos ódio finos, dissuadidos,
lãs de olvido e alucinações.

Sovamos os sidos, os vividos,
somos eiva, disfarce, diluição.
Somos somas a subtrações.

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TODO CASAL DEVERIA LER

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O Amor Maduro 

O amor maduro não é menor em intensidade.
Ele é apenas silencioso. Não é menor em extensão.
É mais definido colorido e poetizado.
Não carece de demonstrações: Presenteia com a verdade do sentimento.
Não precisa de presenças exigidas:
amplia-se com as usências significantes.
O amor maduro tem e quer problemas, sim, como tudo.
Mas vive dos problemas da felicidade.
Problemas da felicidade são formas
trabalhosas de construir o bem, o prazer.
Problemas da infelicidade não interessam ao amor maduro.
Na felicidade está o encontro de peles, o ficar com o gosto da boca
e do cheiro  do outro - está a compreensão antecipada, a adivinhação,
o presente de valor interior, a emoção vivida em conjunto,
os discursos silenciosos da percepção, o prazer de conviver,
o equilíbrio de carne  e de espírito.
O amor maduro é a valorização do melhor do outro
e a relação com a parte salva de cada pessoa.
Ele vive do que não morreu, mesmo tendo ficado para depois,
vive do que fermentou criando dimensões novas
para sentimentos antigos, jardins abandonados, cheios de sementes.
Ele não pede, tem.
Não reivindica, consegue.
Não percebe, recebe.
Não exige, oferece.
Não pergunta, adivinha.
Existe, para fazer feliz.
O amor maduro cresce na verdade e se esconde a cada auto-ilusão,
basta-se com o todo do pouco. Não precisa e nem quer nada do muito.
Está relacionado com a vida e por isso mesmo é incompleto,
por isso é pleno em cada ninharia por ele transformada em paraíso.
É feito de compreensão, música e mistério.
É a forma sublime de ser adulto e a forma adulta de ser sublime e criança.
É o sol de outono: nítido, mas doce.
 Luminoso, sem ofuscar.
Suave, mas definido.
Discreto, mas certo.
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Quem não tem namorado 

Quem não tem namorado é alguém que tirou férias não remuneradas de si mesmo.
Namorado é a mais dificil das conquistas.
Difícil porque namorado de verdade é muito raro. Necessita de adivinhação, de pele, saliva, lágrima, nuvem, quindim, brisa ou filosofia. Paquera, gabiru, flerte, caso, transa, envolvimento, até paixão, é fácil.
Mas namorado, mesmo, é muito difícil. Namorado não precisa ser o mais bonito, nem ser aquele a quem se quer proteger e quando se chega ao lado dele a gente treme, sua frio e quase desmaia pedindo proteção. A proteção não precisa ser parruda, decidida; ou bandoleira, basta um olhar de compreensão ou mesmo de aflição.

Quem não tem namorado é quem não tem amor é quem não sabe o gosto de namorar. Há quem não sabe o gosto de namorar. Se você tem três pretendentes, dois paqueras, um envolvimento e dois amantes; mesmo assim pode não ter nenhum namorado.

Não tem namorado quem não sabe o gosto da chuva, cinema sessão das duas, medo do pai, sanduíche de padaria ou drible no trabalho.

Não tem namorado quem transa sem carinho, quem se acaricia sem vontade de virar sorvete ou largatixa e quem ama sem alegria.

Não tem namorado quem faz pacto de amor apenas com a infelicidade. Namorar é fazer pactos com a felicidade ainda que rápida, escondida, fugidia ou impossível de durar.

Não tem namorado quem não sabe o valor das mãos dadas; de carinho escondido na hora em que passa o filme; de flor catada no muro e entregue de repente; de poesia de Fernando Pessoa, Vinícius de Moraes ou Chico Buarque lida bem devagar; de gargalhada quanda fala junto ou descobre meia rasgada; de ânsia de viajar junto para a Escócia ou mesmo de metrô, bonde, nuvem, cavalo alado, tapete mágico ou foguete interplanetário.

Não tem namorado quem não gosta de dormir agarrado, de fazer cesta abraçado, fazer compra junto. Não tem namorado quem não gosta de falar do próprio amor, nem de ficar horas olhando o mistério do outro dentro dos olhos dele, abobalhados de alegria pela lucidez do amor.

Não tem namorado quem não redescobre a criança própria e a do amado e sai com ela para parques, fliperamas, beira-d’água, show de Milton Nascimento, bosques enluarados, ruas de sonhos ou musical da Metro.
Não tem namorado quem não tem música secreta com ele, quem não dedica livros, quem não recorta artigos; quem gosta sem curtir, quem curte sem aprofundar.

Não tem namorado quem nunca sentiu o gosto de ser lembrado de repente no final de semana, na madrugada, ou meio-dia do dia de sol em plena praia cheia de rivais.

Não tem namorado quem ama sem se dedicar, quem namora sem brincar, quem vive cheio de obrigações; quem faz sexo sem esperar o outro ir junto com ele.

Não tem namorado quem confunde solidão com ficar sozinho e em paz.

Não tem namorado quem não fala sozinho, não ri de si mesmo e quem tem medo de ser afetivo.

Se você não tem namorado porque não descobriu que o amor é alegre e você vive pesando duzentos quilos de grilos e medos, ponha a saia mais leve, aquela de chita e passeie de mãos dadas com o ar. Enfente-se com com margaridas e ternuras e escove a alma com leves fricções de esperança. De alma e coração estouvado, saia do quintal de si mesmo e descubra o próprio jardim.

Acorde com gosto de caqui e sorria lírios para quem passe debaixo de sua janela. Ponha intenções de quermesse em seus olhos e beba licor de contos de fada. Ande como se o chão estivesse repleto de sons de flauta e do céu descesse uma névoa de borboleta, cada qual trazendo uma pérola falante a dizer frases sutis epalavras de galanteria.

Se você não tem namorado é porque ainda não enlouqueceu aquele pouquinho necessário a fazer a vida parar e de repente parecer que faz sentido.

*Obs.: Este texto, frequentemente, tem sido atribuído a Carlos Drummond de Andrade. Mas, de fato, é de Artur da Távola. Foi publicado no livro: “Amor a sim mesmo” (sic) – (coletânea de crônicas de Távola), Ed. Círculo do Livro, por cortesia da Ed. Nova Fronteira S.A. copyright – © 1.984 Paulo Alberto M. Monteiro de Barros (nome real de Artur da Távola).

16 de novembro de 2011

Eça de Queiroz


José Maria de Eça de Queirós, nascido aos 25 de novembro de 1945 em Póvoa de Varzim-Portugal e falecido aos 16 de agosto de 1900 em Paris-França. Considerado por muitos como o melhor escritor realista português do século XIX, era filho de Carolina Augusta Pereira d'Eça e José Maria Teixeira de Queirós, magistrado, formado em Direito por Coimbra. Aos dezesseis anos entrou para a Universidade de Coimbra onde, também, estudou direito. Seus primeiros trabalhos publicados, sob o nome de Prosas Bárbaras, foi como um folhetão na revista "Gazeta de Portugal". Suas obras foram traduzidos em aproximadamente 20 línguas e são bastante conhecidas no Brasil. (Fonte: Wikipédia)
 

A história de uma família portuguesa, em finais do século XIX, tornou-se uma das obras mais consagradas a nível mundial. Do punho de Eça de Queirós, numa escrita realista que apontava todos os “podres” dos protagonistas, seguimos os Maias. Nas figuras do patriarca Afonso, do traído Pedro e do diletante Carlos apresentam-se três gerações de uma família de elevado estatuto nas lides lisboetas.O palácio do Ramalhete, o Teatro da Trindade e Sintra são alguns dos palcos da acção. Nestes lugares desfilam personagens-tipo de um tempo “queirosiano”: mulheres fatais, políticos corruptos, jovens utópicos que assumem um papel de mudança no futuro do país, para, no fim, nada terem feito.

O incesto também é um tema-chave do livro. O promissor Carlos, médico, de brilhante início de carreira, respeitado pelos seus pares, envolve-se com uma misteriosa dama casada. Depois de algumas peripécias (saber que Maria Eduarda afinal não era pertença de outro homem) e de, finalmente, poder viver livremente aquele amor tão “puro”, Carlos da Maia vê o seu mundo ruir: ela era a sua irmã, levada de Portugal pela mãe, aquela Maria Monforte das histórias do avô, aquela que conduziu Pedro ao suicídio.

Eça de Queirós levou oito anos a compor esta saga familiar que, para lá das desventuras amorosas do membro mais novo (Carlos) e das tropelias do seu melhor amigo (João da Ega), também revela um Portugal de Fim-de-Século muito contemporâneo. Toda uma sociedade foi alvo do olhar atento, irónico e muito mordaz de Eça. Política, cultura, costumes e rotinas, nada escapou neste grande clássico da literatura.

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Obras

O mistério da estrada de Sintra (1870)
O Crime do Padre Amaro (1875)
O primo Basílio (1878)
O mandarim (1880)
A relíquia (1887)
Os Maias (1888)
Uma campanha alegre (1890-91)
Correspondência de Fradique Mendes (1900)
A Ilustre Casa de Ramires (1900)
A cidade e as serras (1901, Póstumo)
Contos (1902, Póstumo)
Prosas bárbaras (1903, Póstumo)
Cartas de Inglaterra (1905, Póstumo)
Ecos de Paris (1905, Póstumo)
Cartas familiares e bilhetes de Paris (1907, Póstumo)
Notas contemporâneas (1909, Póstumo)
Últimas páginas(1912, Póstumo)
A capital (1925, Póstumo)
O conde d'Abranhos (1925, Póstumo)
Alves & Companhia (1925, Póstumo)
Correspondência (1925, Póstumo)
O Egipto (1926, Póstumo)
Cartas inéditas de Fradique Mendes (1929, Póstumo)
Páginas esquecidas (1929, Póstumo)
Eça de Queirós entre os seus - Cartas íntimas (1949, Póstumo)
A tragédia da rua das flores (sem data de referência)
As minas de Salomão (sem data de referência)
Adão e Eva no paraíso (sem data de referência)
Antônio Gonçalves Dias

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* Caxias, MA. – 10 de Agosto de 1823 d.C
+ Guimarães, MA. – 13 de Novembro de 1864 d.C

( para ver sua Biografia é só clicar em http://www.biografia.inf.br/goncalves-dias-poetas.html )

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Cartão postal com poema de Gonçalves Dias


Canção do exílio

Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.
Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas tem mais flores,
Nossos bosques tem mais vida,
Nossa vida mais amores.
Em cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o sabiá.
Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar – sozinho, à noite -
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o sabiá.
Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que desfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu’inda aviste as palmeiras,
Onde canta o sabiá.